
Kilian Jornet anuncia calendário focado em grandes clássicas e confirma presença na UTMB 2026
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Depois de dois anos dedicados a grandes projetos de montanhismo, Kilian Jornet decidiu voltar às largadas que mais significam para ele. O foco agora não está na exploração, mas na competição — e contra os melhores do mundo.
“Nos últimos dois anos, meus principais objetivos foram projetos longos de montanhismo: Alpine Connections, em 2024, e States of Elevation, em 2025. Esses projetos trouxeram exploração e criatividade, levando meu corpo a níveis que eu não imaginava antes. Mas também significaram um mês longe de casa.”
Para 2026, o plano é direto:
“Este ano, o objetivo é mais simples: estar nas largadas que significam muito para mim.”
E essas largadas têm nome:
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Western States Endurance Run
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Sierre-Zinal
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Ultra-Trail du Mont-Blanc
“O que me empolga não é a descoberta ou a exploração, porque já fiz essas provas muitas vezes. É a competição. São as corridas onde todo mundo aparece.”
Western States: ajustes após 2025
A primeira parada será a Western States.
“No ano passado, eu tive uma preparação muito boa, mas fiquei doente e não corri perfeitamente. Fiquei em terceiro lugar, mas em algum ponto lá no fundo dos cânions senti que estava começando a me conectar com o que meu corpo poderia fazer naquele ritmo, naquela distância e no calor. Quero voltar e construir a partir disso.”
Sierre-Zinal: tradição e intensidade
Na sequência, ele retorna à Sierre-Zinal, uma das provas mais icônicas da corrida de montanha.
“É a corrida que eu já fiz mais vezes do que consigo contar. Dois anos atrás fiz meu recorde pessoal lá. Existe uma competição pura, uma mistura rara de atletas de diferentes origens correndo a mesma rota desde os anos 70, em um dos vales mais bonitos dos Alpes.”
UTMB Chamonix: o grande palco
Mas o grande destaque do calendário é a confirmação na UTMB, em Chamonix.
“É uma das poucas ultras no mundo onde a profundidade do campo de atletas te leva a um nível diferente.”
Kilian fará sua sétima participação na volta completa ao redor do Mont Blanc. Em 2026, serão 18 anos desde sua estreia — quando venceu a prova com apenas 20 anos.
“Faz 18 anos desde que corri a UTMB pela primeira vez. Eu tinha 20 anos, não sabia muito o que esperar, e de alguma forma ganhei.”
Ele voltou em 2009 e 2011 para novas vitórias. Em 2017, foi segundo colocado atrás de François D’Haene. Em 2018, abandonou após uma reação alérgica a uma picada de abelha no Refúgio Bertone. Já em 2022, viveu aquele que considera seu melhor dia na montanha ao redor do Mont Blanc.
“Eu estava em um momento diferente da minha carreira, abordando a prova de outra maneira, e parecia que todos aqueles anos de experiência finalmente tinham se encaixado.”
Sobre as divergências passadas com a organização, ele reconhece:
“Eu sei que algumas pessoas podem perguntar por que estou correndo a UTMB, já que nem sempre concordamos em tudo. Desde então, passei longas horas conversando com Michel e com a equipe. Estamos alinhados no que mais importa e queremos trabalhar juntos por um esporte melhor.”
Mais do que resultados, o retorno tem um significado pessoal profundo.
“Eu amo as montanhas, a comunidade, o desafio daquele percurso. A volta ao redor do Mont Blanc é brutal e bonita, e toda vez que corro lá eu aprendo algo que não sabia antes.”
E conclui:
“Estou voltando 18 anos depois e ainda sinto que há mais para aprender, mais para entregar, mais para descobrir sobre o que meu corpo pode fazer nessa distância. Nos vemos em agosto, em Chamonix.”
A temporada está definida: três provas, três desafios distintos — e um dos maiores nomes da história do trail novamente no centro do cenário mundial.
