
Novo livro revela o verdadeiro Lazarus Lake, mente por trás do Barkley Marathons
A primeira biografia autorizada do criador das corridas mais enigmáticas do ultratrail mostra um homem muito mais complexo – e inspirador – do que sua fama de “gênio cruel” sugere.
O mistério em torno de Lazarus Lake – nome de guerra de Gary Cantrell, criador das lendárias Barkley Marathons – acaba de ganhar novos capítulos. Lançado em 16 de setembro, o livro “The Endurance Artist: Lazarus Lake, The Barkley, and a Race with No End” é a primeira biografia autorizada desse personagem que revolucionou o ultrarunning.
Pouco se sabia de fato sobre o homem que esconde livros na floresta, sopra uma concha e acende um cigarro para dar a largada da prova mais temida do mundo, onde em quase 40 anos apenas 20 pessoas conseguiram terminar – incluindo a britânica Jasmin Paris, a primeira mulher a completar o percurso em 2024. Laz também é o idealizador do Big’s Backyard Ultra, formato que virou fenômeno global e terá o Campeonato Mundial em outubro, em sua propriedade em Bell Buckle, Tennessee.

A fama mundial veio em 2014 com o documentário da Netflix The Barkley Marathons: The Race That Eats Its Young. De lá para cá, ele já foi descrito como “santo barbudo” e até “Leonardo da Vinci da dor”. Mas, como mostra o jornalista Jared Beasley, autor da obra, o verdadeiro Laz vai muito além das lendas.
Beasley mergulhou em centenas de horas de entrevistas com Laz, familiares e amigos para revelar corridas experimentais que precederam a Barkley e o Big’s, explorando sua filosofia: criar ambientes em que outras pessoas descubram a própria grandeza. “O sucesso é dos corredores. O diretor da prova deve sumir em segundo plano”, afirma Laz.
Apesar de reservado, ele participou ativamente do processo, revisando detalhes para garantir precisão e, com humor, “para ter certeza de que não seria preso ou morto por algo que estivesse lá”. O livro também revela passagens inusitadas, como quando Laz foi atingido por um tiro durante uma maratona – e mesmo assim terminou a prova.

Beasley compara a jornada de escrever a biografia às próprias corridas de Laz: cheia de obstáculos, recusas de editoras e reescritas, até chegar ao formato ideal. Para ele, a história de Lazarus Lake é menos Fight Club e mais Willy Wonka, onde não basta encontrar o “golden ticket”: é preciso provar caráter e resistência.
O resultado é um relato que vai muito além da corrida, explorando os limites humanos, o medo do fracasso e a arte de “ir um passo além”.
