O overtraining é um estado de desequilíbrio entre carga de treino e recuperação que se prolonga no tempo, comprometendo não só a performance, mas também a saúde do atleta. No entanto, ele pode ser identificado precocemente.
É natural que, para evoluir no desempenho, o corpo passe por sobrecargas planejadas, que podem gerar fadiga, cansaço e leve queda de rendimento, mas esses sinais e sintomas não vão muito além de 2 semanas, sendo uma fase adaptativa esperada. Esse processo é o que chamamos de overreaching funcional.
Já o overreaching não funcional apresenta declínio ou estagnação da performance por 3 a 4 semanas, sem supercompensação, requerendo semanas ou até mais de 1 mês para recuperação completa. A identificação precoce desses sinais — por meio de monitoramento de carga, sintomas, variabilidade cardíaca, humor, avaliação de variação hormonal — permite intervenção rápida. Caso isso não ocorra, corremos risco de entrar no overtraining, não alcançando recuperação mesmo após 4 semanas. Dessa forma, o atleta não só perde performance, como tem sua saúde afetada a longo prazo, com insônia, alterações de humor, taquicardia, hipertensão, diminuição do apetite, diminuição na concentração, entre outros.
O acompanhamento por equipe multiprofissional (como treinador, nutricionista, psicólogo, médico e fisioterapeuta) é essencial. Ajustes na carga, nutrição, sono e controle de estresse evitam a progressão para overtraining, protegendo a saúde e prolongando a carreira esportiva.
Texto por Louise Lima