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UTMB World Series amplia política de apoio à parentalidade em parceria com a PTRA

O circuito UTMB World Series deu mais um passo importante rumo à inclusão no esporte. Após lançar uma política pioneira voltada à gravidez em 2023, a organização anunciou a expansão da iniciativa, agora abrangendo diferentes caminhos da parentalidade.

A nova versão da política foi desenvolvida em parceria com a Pro Trail Runners Association (PTRA) e passa a contemplar não apenas gestação, mas também reprodução assistida (como fertilização in vitro), adoção e barriga de aluguel.

Um marco para o trail running

Desde a implementação da política inicial, mais de 400 atletas já puderam adiar suas inscrições ou solicitar reembolso, mostrando o impacto direto da iniciativa na vida dos corredores.

Agora ampliada, a medida se aplica a todos os participantes do circuito, independentemente do nível competitivo ou da estrutura familiar, reforçando o compromisso do UTMB com um esporte mais diverso e acessível.

Segundo Nicolas Lagrange, responsável pela área de responsabilidade social do circuito:

“Queremos que todo atleta, independentemente do seu nível, possa viver plenamente a parentalidade sem precisar abrir mão da sua paixão pelo trail running.”

O que muda na prática

A nova política garante aos atletas, em diferentes contextos de parentalidade:

  • Reembolso total da inscrição
  • Possibilidade de transferir a vaga para uma edição futura
  • Em provas com sorteio, reembolso + acesso prioritário em edições seguintes

Além disso, uma medida especialmente relevante foi criada para a elite:

⏱️ Proteção do ranking para atletas de alto nível

O UTMB Index — sistema que define o ranking dos atletas — poderá ser congelado por até 5 anos durante o período de parentalidade.

Isso significa que corredores de elite não serão prejudicados em sua classificação ao se afastarem temporariamente para formar uma família, podendo retornar ao circuito mantendo o nível conquistado anteriormente.

A visão dos atletas

A iniciativa contou com participação ativa da PTRA, especialmente do grupo de trabalho voltado à igualdade feminina.

Para Eszter Csillag, atleta de elite e integrante da associação:

“Por muito tempo, a maternidade foi vista como um ponto final na carreira esportiva. Precisamos mudar essa mentalidade e criar condições para que as atletas possam decidir seus caminhos.”

Ela reforça que o objetivo é não apenas facilitar o retorno ao esporte, mas também valorizar a maternidade dentro do alto rendimento.

Um passo rumo a um esporte mais inclusivo

A ampliação da política marca um momento importante para o trail running mundial, ao reconhecer que a jornada dos atletas vai além da competição.

Mais do que ajustes operacionais, a medida representa uma mudança cultural:
um esporte que começa a se adaptar à vida real de seus praticantes — e não o contrário.

Bruno Mattos: Atleta skyrunning, designer e repórter.
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