
Dani Sandoval estabelece um FKT inédito em variante longa do Cotopaxi, enquanto Tyler Andrews redefine os limites do percurso curto a partir do refúgio José Ribas
O Cotopaxi, um dos vulcões mais emblemáticos da Cordilheira dos Andes, segue consolidando seu papel como uma das principais referências mundiais do alpinismo de velocidade em altitude. Com quase seis mil metros de elevação e condições ambientais severas, a montanha equatoriana foi recentemente palco de dois feitos distintos, protagonizados por Dani Sandoval e Tyler Andrews, que reforçam a diversidade e a complexidade dos desafios em formato FKT.
Dani Sandoval estabelece um novo FKT em variante inédita
Dani Sandoval escreveu um capítulo singular na história do Cotopaxi ao completar uma variante inédita do percurso em 6h20min08s, estabelecendo um novo Fastest Known Time independente dentro da montanha. O registro foi realizado em um traçado diferente dos tradicionais, o que confere ao feito um caráter próprio e inédito.

O percurso totalizou 31,4 quilômetros, com 2.284 metros de desnível positivo e 2.276 metros de desnível negativo, em um ambiente de alta montanha marcado por frio intenso, vento constante e grande exigência fisiológica. Afrontar o Cotopaxi nesse formato significa sustentar o esforço por horas em altitude elevada, onde a margem de erro é mínima e a gestão de ritmo e energia se torna determinante.
Mais do que um desafio esportivo, o Cotopaxi ocupa um lugar central na trajetória de Dani Sandoval. Trata-se de uma montanha formativa, onde a atleta construiu parte fundamental de sua experiência em altitude, desenvolvendo leitura de terreno, resistência mental e capacidade de adaptação a ambientes extremos. O retorno ao vulcão não foi apenas uma busca por mais um recorde, mas um movimento de reconexão com a essência que moldou sua evolução como montanhista e trail runner.

A atividade começou ainda de madrugada, com a logística cuidadosamente planejada e a largada ocorrendo por volta das 2h da manhã. A ascensão foi feita sob céu estrelado, temperaturas baixas e vento, com Dani mantendo um ritmo controlado e consistente. No descenso, uma execução técnica rápida e eficiente foi decisiva para consolidar o tempo final. Com a chegada do sol, veio também a confirmação do objetivo: 6h20min08s, novo FKT nessa variante do Cotopaxi.

Tyler Andrews e a disputa de elite no percurso curto
Enquanto Dani Sandoval enfrentava o Cotopaxi em um desafio de longa duração, Tyler Andrews voltou a chamar atenção no percurso curto e explosivo que parte do refúgio José Ribas, um dos traçados mais emblemáticos do alpinismo de velocidade na montanha
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Esse itinerário não corresponde à rota histórica longa do Cotopaxi, que chega a cerca de 31 quilômetros ida e volta, mas sim a um percurso direto, pensado especificamente para tentativas rápidas. O trajeto sai do refúgio José Ribas, alcança o cume e retorna ao ponto inicial, somando aproximadamente 5 quilômetros, com 1.006 metros de desnível positivo. Um formato curto, porém extremamente exigente, onde a altitude e o terreno impõem um esforço máximo do início ao fim.
O grande nome histórico desse percurso é Karl Egloff, que dominava o recorde desde 2012. Em 19 de outubro de 2021, Egloff estabeleceu o tempo de 1h36min54s, criando o padrão moderno do FKT a partir do José Ribas. Poucos dias depois, ainda em outubro de 2021, Tyler Andrews — residente ocasional no Equador e um dos maiores especialistas mundiais em FKTs em altitude — respondeu rapidamente, reduzindo a marca para 1h36min33s, superando o recorde por apenas 21 segundos.

A rivalidade seguiu viva. Em 7 de janeiro de 2022, Egloff retornou ao Cotopaxi e baixou o tempo de forma contundente para 1h27min33s, elevando drasticamente o nível de exigência do percurso curto. Essa marca se tornou a referência a ser batida nos anos seguintes.
Com seu registro mais recente, Tyler Andrews volta a colocar o foco sobre esse traçado, demonstrando que ainda existe margem para evolução mesmo em um percurso já amplamente explorado por atletas de elite. O feito reforça sua posição como um dos grandes nomes do alpinismo de velocidade contemporâneo e mantém o Cotopaxi como um verdadeiro laboratório da performance humana em altitude.
