Revista Trail Running
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Aos Trekking

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Trail Running em Badia em correr de forma tranquila, sem me POLES Prataglia esse ano, preocupar com as outras competidoras Cissa Ramos resolveu já que não conhecia ninguém”. estender sua estada na Europa para conhecer alguns países como O instinto competitivo da França, Croácia, Suíça e a própria catarinense foi ativado com pouco Itália. Engana-se, porém, quem acha mais de 40 quilômetros de prova, que ela deixou os tênis de trail de ao ser avisada que estava entre lado para se juntar a grupos de as dez primeiras colocadas. “Eu turistas e conhecer os locais mais não podia parar um segundo, que já badalados do velho continente. passavam várias meninas. No posto de abastecimento do quilômetro 50 duas A catarinense de 33 anos aproveitou pararam para abastecer as garrafinhas a oportunidade para fazer um de água, então resolvi sair antes e dar intensivo de treinamento pelas o meu máximo sem olhar para trás”.

montanhas e trilhas, participou de Ela conta que foram os melhores algumas provas e se aventurou 20 quilômetros da vida dela, que pelo percurso de 100 quilômetros do lhe renderam a quinta colocação, CCC, prova que faz parte do UTMB. 40 segundos atrás da quarta. “Isso Sempre tendo uma bicicleta ou me e deu confiança para seguir meu seus próprios pés como meio de caminho”, lembra Cissa.

transporte, Cissa alugou quartos a preços módicos em pequenos Após uma breve estada no litoral da vilarejos, lavou roupa, cozinhou e fez Itália para se recuperar das provas, muitas amizades por onde passou ela seguiu para Split e para a Ilha ao longo de dois meses. de Hvar, na Croácia, onde explorou alguns lugares pedalando uma Seu primeiro desafio foi participar Mountain Bike. “Lá eu vi a água do mar da Valandro Vertical Race, uma mais linda da minha vida”, relembra a prova de aproximadamente 3,3 corredora. Saindo do calor da Croácia quilômetros em Comano (Toscana, ela foi para o frio de Chamonix pai (64 anos) e fizemos 500m juntos Itália) com desnível de 1.100m (França), onde retomou os treinos de até o Refúgio Veneza”, relembra Cissa.

positivo. Com pouca experiência corrida percorrendo montanhas com “Quero sempre chegar no cume, então usando bastões de caminhada 1.000 a 1.500m de desnível positivo. fui sozinha até os 3.000m de altitude, (trekking poles), ela resolveu correr “No último dia fiz os 20 quilômetros o máximo possível sem a necessidade sem o acessório, mas no meio finais do percurso do Ultra Trail du de escalar. Foi o piso mais difícil que já da corrida se arrependeu. “Eu não Mont Blanc”, relembra Cissa. encarei”, completa.

estava conseguido subir, então um corredor me emprestou um dos Com a facilidade de viajar de um Cume conquistado, ela precisava bastões dele e ainda avisou um amigo país a outro na Europa gastando ainda descer de volta ao local que estava fora da prova para me pouco, a catarinense voltou para a onde estava seu pai e tinha duas esperar mais para frente com outro”, Itália com o objetivo de encontrar opções: a mais fácil ou literalmente o relembra Cissa. seu pai, que saiu do Brasil e foi caminho das pedras. “Escolhi o mais visitá-la. A ideia era descansar e difícil. Não tinha trilha, só pedra, areia e Antes de deixar Trentino ela se fazer turismo, mas o roteiro não foi precisei descer de bunda por uns dois inscreveu na Orobi Ultra trail, com bem esse, já que ela descobriu que quilômetros até um refúgio”, relata 70 quilômetros de extensão, e estava perto do Monte Pelmo, uma Cissa. Ainda faltavam duas horas até aproveitou para colocar em prática das montanhas mais imponentes o Refúgio Veneza e ela não queria os treinos que havia feito com das Dolomitas com seus 3.168m. chegar à noite. “Dava para correr, os trekking poles. “Demorei uns 40 “Emprestei meus bastões para o meu então fiz em 1h10”, conta orgulhosa.

Revista_TRC_5aEd_AF_1.indd 16 03/10/2017 22:38:22 CISSA NA OROBI ULTRA TRAIL subida, bem selvagem, estava mal da pela comuna francesa. “Foi a gripe e pensei em desistir. Mas, quando experiência mais louca e magnifica eu quero muito alguma coisa, há uma que já tive, vivi momentos incríveis.

força que me domina e resolvi tentar”. Não tive dores musculares, mas a O dia ainda nem tinha clareado e a imunidade ficou detonada, porque jovem corredora partiu para o maior levei meu corpo ao limite”, lembra a desafio da sua vida. catarinense. “Para o nosso esporte a Europa é um paraíso, não temos O primeiro objetivo era chegar ao montanhas como essas no Brasil.

refúgio de montanha no quilômetro Além de tudo, me senti muito segura”. 16, mas para isso ela precisou encarar 1.500m de subida com o Cissa afirma ter crescido como dobro do tempo caso estivesse na atleta e acha muito importante para prova, pois não conhecia o percurso os corredores brasileiros viverem e precisava a todo momento experiências como essa para encontrar o caminho certo para a conseguirem competir no mesmo Arquivo Pessoal trilha. “Lá em cima estava clareando, nível dos adversários em provas foi o visual mais lindo da minha internacionais. “Eu não sabia o que vida. Tomei café no refúgio, coloquei era correr uma montanha de verdade.

as roupas para secar, carreguei o Temos vários atletas maravilhosos, celular e segui para o caminho já que se treinassem fora conseguiriam PARA O NOSSO encontrando melhor as trilhas”, resultados melhores”, alerta. Corredora conta a catarinense que se sentiu desde 2014, quando deu seus renovada. Ela tinha a ideia de fazer a primeiros passos em uma corrida ESPORTE A EUROPA distância direto, sem paradas, mas com o passar do tempo os planos na praia, em Florianópolis, ela diz ter muito a aprender para alçar voos foram mudando. “Eu me perdia, não maiores. “Siga o seu coração, vá atrás tinha marcação e precisava perguntar dos seus sonhos, não fique esperando.

É UM PARAÍSO, NÃO para as pessoas”. Tire as barreiras que você mesmo constrói e dê um jeito”, conclui. Foram horas correndo no frio, quando TEMOS MONTANHAS por volta das 18h30 alcançou um vilarejo na Suíça onde poderia passar De volta às terras tupiniquins, Maria Cecilia Ramos já tem em a noite, mas como ainda havia mente seus próximos desafios: COMO ESSAS alguns minutos antes do anoitecer resolveu seguir até o próximo “Não tive tempo de me preparar e as coisas foram se encaixando, mas ponto com civilização em busca de vou dar um jeito profissionalmente hospedagem. “Cheguei umas 19h30 para estar na Europa no verão para NO BRASIL... na vila no meio das montanhas e me treinar e competir. Isso vai me fazer falaram que não tinha hotel. Não tinha evoluir muito”. Depois de correr como chegar na próxima cidade por informalmente o OCC, ela agora conta da luz e já estava pensando vai buscar os pontos necessários Durante essa temporada na em me abrigar na rua”. Como em para oficialmente alinhar na Europa, Cissa aprendeu lições uma cena de filme hollywoodiano, largada da prova em 2018.

valiosas que levará para toda a um casal apareceu e lhe ofereceu “Será meu objetivo do ano”. vida e espera compartilhar com o comida, bebida e uma carona de máximo de pessoas possível. Uma carro até o hotel mais próximo. delas é sempre sair para o treino com equipamentos de segurança, “Eu estava mal de gripe, acho que CHEGADA geralmente aqueles que aparecem tive febre à noite. Queria sair umas DO DESAFIO em listas de provas longas como 5h30 para continuar, mas quando 100KM obrigatórios e muita gente ignora. acordei eram 7h, então coloquei minha “Sempre tenho na mochila manta roupa e saí em direção à cidade onde térmica, lanterna, jaqueta impermeável, tinham me dado carona”. A peregrina corta vento e celular carregado e com Cissa começou a segunda perna crédito. A montanha mata, você pode dos 100 quilômetros por volta das sair com 30ºC, o tempo vira e pode 10h, sempre com dificuldades de chegar a zero grau”, alerta. encontrar o caminho certo. “Parei no penúltimo ponto de apoio 3h30 Todos esses treinamentos, provas antes do anoitecer e tinha pela frente e aprendizados serviram para a a terceira pior subida. Eu estava muito aventura final de Cissa Ramos: cansada e sabia que não podia me correr 100 quilômetros pela primeira perder. Parei em La Flegere (último vez, ainda na Europa, no trajeto do refúgio antes do fim do percurso), CCC entre Itália, Suíça e França, entrei na trilha umas 19h e desci em 40 evento do Ultra Trail du Mont Blanc. minutos até Chamonix”.

Arquivo Pessoal “Ouvi dizer que a trilha já estava marcada para a prova, baixei no celular Ela passou pela arena já montada o trajeto do ano passado e imprimi para o UTMB, que aconteceria os mapas com as altimetrias. Os nos próximos dias, despertando primeiros dez quilômetros têm a pior olhares curiosos de quem passava Revista_TRC_5aEd_AF_1.indd 17 03/10/2017 22:38:24 Todos pela preservação da Serra da Mantiqueira por BRUNA MORAES prática de esportes Tomas de Castro / Divulgação outdoor e o apreço pela natureza são dois fatores que estão intrinsecamente conectados. Por isso, é natural para um corredor de montanha se preocupar com a conservação das áreas em que são realizadas as provas que pretende disputar.

A organização de eventos TRÊS DAS QUATRO PROVAS esportivos na região da Serra da KTR SERIES SÃO DISPUTADAS Mantiqueira, área que abrange NA SERRA DA MANTIQUEIRA Wladimir Togumi / Divulgação os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, está sob a chancela de uma APA (Área de Proteção Ambiental) ligada ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Este órgão elaborou um termo de referência que tem como objetivo estabelecer os estudos e documentos mínimos para a obtenção da autorização ambiental para a realização das provas. “Verifica-se um grande esforço por Tomas de Castro / Divulgação parte das empresas de eventos esportivos que ocorrem na área de “EU ESTOU SEGURO abrangência da APASM/ICMBio em se adequarem a esse regramento. DE QUE TUDO O QUE Mesmo porque, entendem que os seus negócios estão associados à conservação ambiental”, destaca EU ENTREGUEI DEIXA Paulo Oliveira, diretor da APA Serra da Mantiqueira. CLARO QUE A CORRIDA No entanto, nenhuma prova realizada na região desde que este NÃO FAZ MAL NENHUM termo de referência foi elaborado, em outubro de 2016, conseguiu a autorização ambiental. Os PARA A SERRA DA Bruna Moraes / Revista Trail Running organizadores da Indomit e da KTR investiram na contratação de MANTIQUEIRA...

engenheiros e técnicos ambientais, que elaboraram estudos sobre Gustavo Nogueira o impacto das provas e esses documentos foram entregues à APA, mas as autorizações não foram emitidas. OS ORGANIZADORES DA INDOMIT TIVERAM