Revista Trail Running
INCM — Índice Nacional de Corrida em Montanha

Como o INCM funciona

O Índice Nacional de Corrida em Montanha responde a uma pergunta só: o quanto aquele esforço chegou perto do ritmo de recorde mundial. A conta é pública, os recordes estão nesta página e qualquer pessoa pode refazê-la. Esta é a metodologia 2.0, em vigor desde setembro de 2026, com régua anual a partir da temporada 2027.

1. A subida vira distância

Cada 150 metros de ganho de elevação equivalem a 1 km no plano. Uma prova de 45 km com 2.500 m de subida vira um esforço de 61,7 km, o km-esforço.

km-esforço = distância + (D+ ÷ 150)

Distância e D+ vêm do regulamento e são confirmados pela redação. Em provas chanceladas por federação parceira, valem a distância e o D+ oficiais registrados pela federação. Quando há GPX validado, a medição do percurso aparece ao lado.

2. O tempo de referência

Para cada km-esforço existe um tempo de referência: quanto o recordista mundial levaria para cobrir aquela distância. Ele é obtido por interpolação entre os recordes de estrada e pista das distâncias vizinhas, separadamente para homens e mulheres. No feminino, vale a melhor marca feminina reconhecida na distância, seja de prova só de mulheres ou de prova mista. Como cada sexo tem a própria régua, uma corredora no ritmo do recorde mundial feminino também chega a 1000 pontos.

3. O FAI: o que o km-esforço não vê

Duas provas com o mesmo km-esforço podem ser muito diferentes: uma de estrada, outra de pedra a 2.000 m. O FAI(fator de ajuste do percurso) corrige isso. Ele parte de 1,00 e cresce com três coisas, todas medidas no percurso:

  • Tecnicidade, até +15%: a composição do terreno em cinco categorias (superfície rápida, estrada corrível, trail corrível, trail técnico, trail muito técnico). É o componente de maior peso.
  • Descidas severas: a fração do percurso com descida acima de 20%, medida no GPX.
  • Altitude, até +6%: a altitude média do percurso.

O FAI é uma propriedade do percurso. Ele não depende de quem correu a prova nem de quando: a mesma prova vale o mesmo acréscimo para o vencedor e para o último a chegar, este ano ou daqui a cinco. Resultados nunca ajustam o fator de uma prova específica. E como o FAI nunca é menor que 1,00, ele só pode manter ou aumentar uma pontuação.

4. A pontuação

índice = 1000 × (tempo de referência × FAI ÷ tempo do atleta)

1000 é o ritmo de recorde mundial e é o teto: nenhuma pontuação passa dele. 500 significa metade da velocidade do recorde para aquele esforço. Todo finisher pontua.

5. A régua da temporada

A partir da temporada 2027, a tabela de recordes é congelada em 1º de janeiro e vale para todas as provas do ano. Um recorde batido durante a temporada só entra na tabela do ano seguinte. Com isso, a nota de cada resultado fica congelada: ela não muda depois de publicada, nem quando um recorde cai. Provas até 2026 seguem medidas pelos recordes vigentes, como sempre foram.

Cada resultado guarda a referência usada, a data da régua e a versão da metodologia, e qualquer cálculo pode ser auditado. Os pesos do FAI são fixados por versão; mudanças de metodologia valem só a partir da temporada seguinte. Nenhum coeficiente manual é aplicado a nenhuma prova.

6. IDL: o nível de dificuldade do percurso

Além do FAI, cada percurso validado recebe o IDL, um nível de 1 (muito baixa) a 10 (excepcional), a partir de quatro componentes que somam 100 pontos: densidade vertical (até 35, metros de subida por quilômetro), severidade (até 25, inclinações acima de 15, 20 e 25% e a maior subida contínua), tecnicidade (até 25, a composição do terreno) e altitude (até 15). O IDL não entra na pontuação; ele descreve a prova e aparece na página do evento, no selo e no perfil do atleta, que mostra quantas provas de cada nível já completou.

7. GPX, validação e Selo INCM

A organização envia o GPX oficial e declara a composição do terreno. O INCM mede o percurso (reamostrando a cada 25 m, suavizando a altimetria e ignorando o ruído de GPS), guarda a versão e o identificador do arquivo, e calcula FAI e IDL. Percursos validados podem ser homologados: ganham o Selo INCM, com uma página pública de verificação que qualquer pessoa pode conferir, e a faixa "percurso homologado" na página do evento.

Quem recebe o FAI: provas de organizações no plano INCM Oficial, com GPX validado e composição de terreno de confiança alta, e provas chanceladas por federação parceira do INCM, com GPX e composição de terreno registrados pela arbitragem da federação. As demais aparecem como "percurso não validado" e são pontuadas com FAI 1,00. Aderir ao INCM Oficial nunca reduz a pontuação dos atletas de uma prova; só pode manter ou aumentar. Qualquer organização pode declarar o terreno gratuitamente; o envio e a validação do GPX fazem parte do plano Oficial.

8. O Index do atleta e os rankings

O Index de um atleta é a média das suas três melhores pontuações nos últimos 12 meses. Ele define o nível (Iniciante, Regular, Intermediário, Forte, Avançado, Nacional, Elite) e as posições no Brasil, no estado e na faixa etária. O Event Index de uma prova é a média das cinco melhores pontuações da edição; o Depth 10, das dez melhores. O ranking de assessorias usa a média dos cinco melhores atletas de cada equipe por sexo.

Todo mundo vê o Index, o nível e os últimos resultados de qualquer atleta. Assinantes da revista, e o próprio atleta no seu perfil, veem também as posições, a evolução do Index prova a prova, o histórico completo e a comparação entre atletas.

9. Rankings estaduais: uma nota só

O INCM faz o cálculo técnico de rankings oficiais de federações de atletismo, como o Ranking Mineiro de Trail e Montanha FMA. Cada resultado tem uma nota só: a mesma nos rankings estaduais e no INCM Brasil, porque usa o mesmo percurso, validado pela arbitragem, e a mesma régua da temporada. O que muda de um ranking para outro é só a regra de classificação: no estadual, a média das até três melhores notas na modalidade; no INCM, o Index e os rankings nacionais.

Os rankings estaduais são públicos e gratuitos, regulamentados pela federação. O resultado estadual entra no INCM Brasil quando o atleta autoriza na inscrição; lá, valem as regras de acesso do INCM. Quando uma prova estadual já existe no INCM, ela é unida à da federação: o histórico do evento é mantido e vale o tempo oficial validado pela arbitragem.

Os recordes usados como base

Esta é a tabela vigente. A partir de 2027, ela é congelada em 1º de janeiro de cada temporada; recordes batidos durante o ano entram na tabela da temporada seguinte.

DistânciaTempoAtletaOndeDesde
5 km12m49sBerihu AregawiCursa dels Nassos (Barcelona)2021
10 km26m24sRhonex Kipruto10K Valencia Ibercaja2020
Meia maratona56m51sYomif KejelchaMeia Maratona de Buenos Aires2026
Maratona1h59m30sSabastian SaweMaratona de Londres (1ª vez oficial sub-2h)2026
50 km2h38m43sCJ AlbertsonRuth Anderson Memorial Run2022
50 milhas4h48m21sCharlie LawrenceTunnel Hill 502023
100 km6h05m35sAleksandr SorokinProva em Vilnius (Lituânia)2023
100 milhas10h51m39sAleksandr SorokinSpartanion (Tel Aviv, Israel)2022

Fontes: World Athletics e IAU (ultramaratona). O recorde de 5 km e 10 km é o de estrada; de 50 km em diante, o melhor tempo reconhecido em estrada ou pista.

Versões da metodologia

Todas as provas do INCM, validadas ou não, são calculadas pela mesma régua (2.0), com 150 m de subida por km-esforço. A única diferença é o FAI: provas com percurso validado recebem o fator do percurso; as demais ficam com FAI 1,00. Por isso, quando uma prova é validada, a pontuação dos seus atletas só pode se manter ou subir.

  • 2.0 com régua anual (temporada 2027 em diante) — recordes congelados em 1º de janeiro, nota de cada resultado congelada após a publicação, FAI também para provas chanceladas por federação parceira, nota única entre rankings estaduais e o INCM Brasil.
  • 2.0 (setembro de 2026) — km-esforço com 150 m por km, régua única com recordes vigentes, FAI do percurso para provas validadas, IDL, homologação e Selo INCM, Index de 12 meses.
  • 1.0 (até setembro de 2026, encerrada) — km-esforço com 120 m por km, sem fator de percurso. Todos os resultados foram recalculados pela 2.0; o histórico da 1.0 fica guardado para auditoria.
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