Trail Running
“É chato, mas aceitar é a melhor solução. Nenhum treino foi em vão, e seguimos para os próximos desafios. No momento que você decide abandonar, vendo que não dá para prosseguir, é frustrante. Todo o planejamento, os gastos, o desafio da prova... Mas isso não me assombrava. Eu sabia que um dia poderia acontecer”, conta Ana Paula, de 32 anos, três deles envolvidos no trail running.
A atleta acredita que o medo ou o receio de quebrar em uma prova não deve estar na mente ou no dia-a-dia do atleta. É preciso estar confiante nos treinos e no planejamento feito até a prova. “Devemos estar sempre otimistas e confiar no nosso treinamento, no nosso planejamento. Mas não devemos descartar essa possibilidade. Nas provas em que estou acostumada com a distância, não tenho medo de arriscar. Mas em provas como a KTR Campos do Jordão, com distância e altimetria que ainda não havia feito, adoto uma estratégia inha me preparando para bem conservadora. Amadureci a KTR Campos do Jordão muito depois que abandonei essa e um mês antes da prova prova. Pode ser que eu tenha mais fiz a Patagônia Run. Uma receio daqui para frente, seja mais quilometragem menor, com era muito forte e eu não conseguia cautelosa. Mas creio que com o um bom tempo de recuperação. dobrar as pernas. Com apenas 4 km passar do tempo, de uma forma geral, Estudei a KTR, fiz treinos específicos de prova resolvi abandonar e voltar todo corredor que abandone uma para prova, me alimentei bem, tracei andando para largada. prova retome a sua confiança”.
minha estratégia de prova e estudei os tempos anteriores de acordo Inicialmente, o sentimento de O treinador Luciano Schionato não com as condições climáticas dos frustração é bem grande. Colocamos foge do tema, embora reconheça anos passados. Durante a semana expectativas, traçamos estratégias. que muitos atletas tenham até da prova só tive um treino de corrida É isso que gostamos de fazer: correr! receio de tocar no assunto. Trata bem leve e pedalei cerca de uma Nunca tinha abandonado uma prova, caso a caso, dando mais ou hora. Antes da prova tive dois de mas é preciso ter maturidade para menos importância de acordo atividade zero, com exercícios de aceitar coisas que fogem do com a situação e com o nível de mobilidade e alongamentos. nosso alcance”. experiência e de treinamento do atleta.
Aqueci antes da prova sem sentir O depoimento de Ana Paula Silveira absolutamente nada. Largamos, no poucos dias depois de se ver “Isso pode ocorrer com qualquer um, km 2 um grupo grande correu uns obrigada a abandonar a KTR Campos em diferentes situações. Não cobro 500 metros a mais fora do percurso, do Jordão dá uma ideia do que e nem dou importância quando voltamos para o percurso em meio passa pela cabeça dos corredores isso acontece com iniwciantes, a descida desviando de outros quando isso acontece pela primeira mas discutimos para entender os corredores e tentando recuperar vez, e exatamente numa prova motivos. Entre os mais avançados posições. Comecei a sentir uma dor importante para o atleta. Mas o que isso pode ser motivo de intervenção absurda em ambos os adutores de vem depois? Como ao atleta lida em treinos e na preparação. Em coxa. Inicialmente achei que fosse com isso durante sua recuperação ultras, isso pode ocorrer com mais uma câimbra. Continuei, mas era e nas provas seguintes? Ana Paula frequência com os atletas bem insuportável a ponto de eu gritar de não teve problemas e poucos treinados. Problemas com ansiedade, dor e um corredor parar e massagear dias depois já estava de volta aos alimentação, hidratação, condições com gel muscular e me dar sal. treinos. O fato é que nem sempre climáticas e até a manutenção de Sentei e resolvi esperar melhorar. estará tudo favorável ao atleta. Ana uma posição durante a prova podem A essa hora eu não esperava mais Paula diz que é possível contornar atrapalhar. Então, cada situação brigar por posições. Queria que a algumas situações difíceis durante deve ser planejada e treinada, na dor passasse para terminar a prova. a prova, partir para um plano B. Mas medida do possível. Não é fácil, mas Eu estava ali para isso. Mas a dor em outras... é necessário”, diz o treinador.
