Revista Trail Running
← Edição 09

Tão Óbvios!

7 min de leitura

POSTOS preciso paciência! Aproveite e retribua DE AJUDA o “high five” de quem acompanha a - HIDRATE-SE! largada, especialmente das crianças. Se você está no pelotão intermediário Ao sair da cidade, o caminho se - COMA! prepare-se para a muvuca nos postos abre em uma estrada asfaltada, de ajuda. Não espere educação dos possibilitando a dispersão dos SE A HIDRATAÇÃO FICAR corredores - vão te empurrar, dar corredores. Quem quiser avançar COMPROMETIDA, O SEGUNDO CONSELHO cotoveladas, cruzar na sua frente, posições deve usar esse trecho de É INÚTIL! PRIMEIRO, PORQUE, ALÉM tomar qualquer espaço disponível pouco mais de 1 km, pois logo depois DE FICAR SEM ENERGIA, UMA PESSOA próximo dos alimentos e bebidas.

adentra-se uma trilha mais estreita, DESIDRATADA NÃO CONSEGUE COMER. Até parece que estão brigando por que leva a Les Houches. pódio e precisam ganhar segundos HÁ GRANDE DISPONIBILIDADE DE preciosos! E estão todos acima da Procure começar a prova de forma COMIDAS, SALGADAS E DOCES, NOS 1.000ª posição!

conservadora, aproveite o tráfego POSTOS DE AJUDA. NO ENTANTO, AS para se segurar. O início muito forte OPÇÕES SÃO SEMPRE AS MESMAS, Como rotina, procure abastecer suas costuma cobrar seu preço, mesmo POSSIVELMENTE PARA FACILITAR A garrafas de líquidos - água e isotônico entre os atletas de elite. Famosa a LOGÍSTICA. EM ALGUM MOMENTO - logo na chegada, para evitar prova de 2016 em que Zach Miller saiu VOCÊ FICARÁ ENJOADO DAS OPÇÕES E esquecimento. Depois, passe pelas em um ritmo alucinante e liderou a DIFICILMENTE CONSEGUIRÁ COMER O bancadas de sopas e sólidos e então prova até o km 124, quando a conta QUE VÊ PELA FRENTE. QUE TAL LEVAR siga adiante.

veio. Por outro lado, Ludovic Pommeret ALGUM ALIMENTO DE QUE VOCÊ GOSTE? saiu de forma conservadora, estava na 50ª posição no km 50, recuperou- se, foi ganhando posições de forma consistente e venceu a prova! O pedir para abandonar a prova. Por CLIMA isso é importante se preocupar tanto com a preparação mental, quanto O clima nos Alpes é imprevisível. com a física.

Em 2015 e 2016 a prova foi realizada sob um calor muito forte. Já em 2017 Pense na prova posto a posto, assim, e 2018, o frio e a chuva marcaram as metas não parecerão tão difíceis; presença. Esteja preparado, serão várias provas entre 10 e 15 acompanhe as notas divulgadas pela quilômetros! Tenha uma meta maior organização e leve os equipamentos que simplesmente a chegada. Por que adequados. Mais do que o obrigatório, e por quem está correndo?

se necessário. Alguns gramas a mais na mochila farão pouca diferença no Para os corredores do pelotão seu tempo final, mas podem significar intermediário, a segunda noite é sua permanência na prova. muito dura. O sono é brutal, muitos deliram, tem visões e mal conseguem andar, tamanho o cansaço. Quando PREPARO estiver decidido a abandonar por esgotamento, recondicione a mente, A CHEGADA MENTAL seja grato pela oportunidade de estar AO ENTRAR NA CIDADE SERÃO MAIS DOIS ali, aproveite o momento. Pense que QUILÔMETROS ATÉ O PÓRTICO. USE A Essa prova exige muito da parte milhares de outros corredores dariam ENERGIA PASSADA PELOS ESPECTADORES, A física, mas o que o levará a linha de um fígado para estar no seu lugar. PRESENÇA DE AMIGOS E FAMILIARES PARA chegada é a parte mental. Não é Corra com o coração aberto! DAR UM GÁS FINAL. E APROVEITE, CURTA E uma questão de “se” irá acontecer, CELEBRE O MOMENTO! VOCÊ É UM FINISHER mas “quando” a sua cabeça vai lhe DA UTMB!

por WANDERSON NASCIMENTO, Jornalista e Trail Runner rande parte dos atletas alguns dias no hospital, irreconhecível, em 41 minutos os 10 Km com os brasileiros, desde amadores com o rosto desfigurado”, destaca, conhecidos morros da cidade das até competidores olímpicos, sem entrar muito em detalhes, por se rosas. Na semana seguinte, mais um é marcada por alguma tratar de uma fase que ele prefere não 4º lugar geral, na Corrida de Santa história de superação. São relembrar. O acidente foi a gota d’água Efigênia. A partir daí, ele passou a poucos aqueles que nasceram em para que ele procurasse uma válvula competir quase todo final de semana.

berço esportivo, ou tiveram todo apoio de escape daquela vida obscura. E foi Seu meio de transporte para as e estrutura desde a fase inicial. Nesta no esporte que Zé viu uma luz no fim corridas na região era a bicicleta. reportagem, vamos conhecer mais do túnel. Pedalava até as cidades vizinhas e uma dessas histórias, de um atleta voltava com o troféu na mochila.

que mora em Barbacena, no interior Natã Valeriano e seu pai lhe de Minas Gerais. apresentaram o Mountain Bike, no ano Pedreiro há 18 anos, Zé do Barro de 2003, e montaram uma bicicleta encaixa seus treinos após a dura Nascido em Desterro do Melo – MG, para Luciano, uma vez que ele não rotina diária de trabalho pesado. E Luciano da Silva Lopes, de 43 anos, tinha dinheiro para comprar uma. assim ele vem colecionando inúmeros é mais conhecido como Zé do Barro, Foi paixão à primeira pedalada! Ele troféus e excelentes resultados, se apelido que ganhou na época quando começou a disputar competições e tornando um dos maiores destaques praticava Mountain Bike, em uma a se destacar com bons resultados, nas corridas de rua da região.

competição que ele ficou literalmente porém, o alto custo do esporte, com atolado na lama com sua bicicleta. No manutenção da bicicleta e inscrições entanto, nossa narrativa começa bem das provas, fez com que Luciano antes disso. buscasse outra modalidade, a corrida Fiquei alguns de rua.

Com uma vida desregrada em sua dias no hospital, juventude, marcada pelo alcoolismo Em 2011, Zé do Barro disputou sua irreconhecível, com e uso de drogas, Zé do Barro viu a primeira competição, a Corrida da o rosto desfigurado morte de perto, ao sofrer um acidente Penha, em Barbacena mesmo, de bicicleta, após fazer uso bebida e já estreou com pódio geral, alcoólica e outras drogas. “Fiquei conquistando o 4º lugar, concluindo ZÉ DO BARRO Natã Zé do Barro do Brasil do Mundial Juvenil, disputado na Itália, novamente ajudou a levar o nosso querido Zé do Barro a voos mais ambiciosos. O corredor de asfalto, que se apaixonou pelas trilhas, agora tinha pela frente o desafio de correr sua primeira ultra trail: os 50 Km do XTerra Estrada Real.

Ao longo do ano, o foco da preparação foi nessa prova, mas, um mês antes, um desafio repentino apareceu e o atleta aceitou encará-lo, com o apoio do treinador. Zé do Barro e Natã foram a São Francisco Xavier, enfrentando quase sete horas de moto para disputar o Desafio das Serras, prova dura, em duas etapas, sendo pouco mais de 40 Km em cada dia e com um detalhe: em duplas.

m janeiro de 2017, depois de Ele destaca as principais diferenças seis anos de asfalto, Luciano que sentiu com a mudança. “Nas ruas Mas não foi Natã a dupla de Zé do foi convencido por Natã a é preciso mais velocidade, enquanto Barro. O atleta alinhou ao lado do encarar um novo desafio, nas montanhas e trilhas é necessário ultramaratonista Hamilton Miragaia diferente de tudo que até mais resistência. Além disso, as e, juntos, foram os campeões da então ele havia disputado. De provas trilhas exigem mais concentração. Um prova mais longa que Luciano já curtas, de até 10 Km, em asfalto, segundo de distração pode causar havia disputado. “FOI UM GRANDE Zé do Barro aceitou o convite para a um acidente ou torcer o pé. É muito APRENDIZADO PARA MIM. O MIRAGAIA FOI prova “Correr no Mato”, em Juiz de Fora, diferente. Nem dá para observar as UM GRANDE COMPANHEIRO E ME ENSINOU com 25 Km de muitas trilhas técnicas paisagens”, declara. A ADMINISTRAR O RITMO, POIS EU ERA e um ganho de elevação de mais de ACOSTUMADO A LARGAR MUITO FORTE.

1200m. Em sua primeira competição Em janeiro de 2018, aquele menino TIVEMOS UMA GRANDE CONEXÃO ENTRE NÓS de trail running, o veloz Zé do Barro que ajudou a trazer Luciano para o E COM A MONTANHA”, afirma, destacando foi o campeão geral, com 22 minutos esporte, tornou-se seu treinador. Natã que foi muito tensa a expectativa de vantagem para o segundo Valeriano, formado em Educação entre as duas etapas, pois o primeiro colocado. Nasceu aí a paixão pelas Física, campeão brasileiro Sub 23 de dia foi muito duro e ele chegou muito trilhas e montanhas. Sky Running em 2018 e representante desgastado. “A SEGUNDA ETAPA ERA MAIS