
Hardrock 100 2026: a corrida mais selvagem das montanhas do Colorado está de volta
A partir das 9h da manhã desta sexta-feira (10), no horário de Brasília, a elite mundial do ultratrail encara mais uma edição da Hardrock 100, uma das provas mais icônicas, exigentes e lendárias do calendário internacional. A competição reúne 147 corredores que terão até 48 horas para completar um percurso de aproximadamente 164 quilômetros pelas montanhas de San Juan, no sudoeste do Colorado, nos Estados Unidos.
Neste ano, a prova será disputada no sentido horário, passando por Silverton, Telluride, Ouray e Lake City antes de retornar ao ponto de partida em Silverton, onde os concluintes mantêm a tradicional cerimônia de beijar a famosa pedra da chegada.
A direção do percurso alterna a cada edição. O sentido de 2026 é conhecido entre os atletas como “subir pelas paredes e descer pelas rampas”, uma referência às subidas mais curtas e extremamente íngremes, seguidas de descidas mais longas e menos agressivas.
A Hardrock apresenta números impressionantes: são cerca de 10.060 metros de ganho de elevação acumulada e uma altitude média de aproximadamente 3.350 metros acima do nível do mar. O ponto mais alto da prova é o Handies Peak, que alcança 4.281 metros de altitude e será atingido por volta do quilômetro 103.
A organização também confirmou uma pequena alteração no percurso, com o retorno histórico do posto de apoio de Grouse Gulch, substituindo Animas Forks. Com isso, o trajeto ficou cerca de 800 metros mais curto em relação à edição de 2025.
Apesar de um inverno com pouca neve nas montanhas do Colorado, os organizadores monitoram atentamente os incêndios florestais registrados na região de Ouray e em outras áreas do oeste americano. Até o momento, a prova segue confirmada.
Feminino: o retorno de Courtney Dauwalter
Após ficar fora da edição de 2025, a norte-americana Courtney Dauwalter retorna à Hardrock como a principal favorita ao título. Dona das segunda, terceira e quarta marcas mais rápidas da história da prova, ela venceu as edições de 2022, 2023 e 2024 e detém o recorde do percurso no sentido horário, com 26h11min.

Sua ausência no ano passado abriu caminho para que Katie Schide estabelecesse o recorde absoluto da prova, com impressionantes 25h50min. Schide, porém, não estará na linha de largada em 2026 por ainda se recuperar de uma lesão.
A temporada de Dauwalter foi marcada por altos e baixos. Depois de abandonar a Cocodona 250 em 2025, ela venceu a Lavaredo Ultra Trail e terminou o UTMB na décima colocação. Já em 2026, conquistou o título da Chianti Ultra Trail 120K e foi vice-campeã na Cocodona 250. O desafio será administrar a recuperação, já que terá apenas 65 dias entre a prova de 250 milhas e a largada da Hardrock.
Entre as principais adversárias de Dauwalter estão Careth Arnold e Tara Dower.
Arnold fará sua estreia na Hardrock, embora tenha ampla experiência nas montanhas americanas. Vencedora da TDS em 2025 e vice-campeã da High Lonesome 100 Mile, a norte-americana também soma um segundo lugar na Canyons 100K nesta temporada e chega ao Colorado após abrir mão de uma vaga em Western States para priorizar a Hardrock.
Já Tara Dower tentará um ousado desafio ao disputar a dobradinha Western States-Hardrock com apenas 13 dias de intervalo entre as provas. Sexta colocada em Western States e quarta colocada na Hardrock de 2024, ela vive excelente fase, impulsionada pelo recorde conquistado na Javelina 100 Mile e pelos pódios na Black Canyon 100K e Gorge Waterfalls 50K.
Entre outros nomes de destaque estão Kaci Lickteig, campeã de Western States em 2015, e Aliza Lapierre, oitava colocada na Hardrock de 2025, que chegou antecipadamente a Silverton para maximizar a adaptação à altitude.
Masculino: Pommeret busca o tricampeonato diante de Evans e Elam
No masculino, todas as atenções se voltam para o francês Ludovic Pommeret. Aos 50 anos, o bicampeão defensor segue desafiando o tempo e chega em busca do terceiro título consecutivo.

Em 2024, no mesmo sentido de percurso desta edição, Pommeret estabeleceu o recorde absoluto da prova ao completar a Hardrock em 21h33min. No ano seguinte, voltou a vencer, registrando a quinta melhor marca de todos os tempos.
Especialista nas longas descidas da prova, o francês continua competitivo em alto nível. Desde a última vitória na Hardrock, terminou em sexto no UTMB, quarto na Diagonale des Fous e terceiro na Marathon des Sables em 2026.
Seu principal rival será o britânico Tom Evans. Campeão de Western States em 2023 e do UTMB em 2025, Evans pode dar mais um passo rumo a um feito reservado a poucos atletas: vencer as quatro corridas de 100 milhas mais emblemáticas do mundo — Western States, UTMB, Hardrock e Diagonale des Fous. Até hoje, apenas Kilian Jornet, Courtney Dauwalter e Katie Schide alcançaram essa façanha.
Conhecido pela preparação meticulosa, Evans utiliza métodos de treinamento pouco convencionais, incluindo esteiras com inclinações extremas, coletes de peso, simulações de uso de bastões e até máscaras para reproduzir os efeitos da altitude.
Outro nome que promete brigar pelas primeiras posições é Jimmy Elam. Embora menos conhecido internacionalmente, o norte-americano chega embalado por uma sequência de seis vitórias consecutivas em ultramaratonas disputadas no oeste dos Estados Unidos, muitas delas em ambientes de alta montanha.
Seu currículo recente inclui vitórias na Miwok 100K, Old Pueblo Endurance 50 Mile, Mammoth 200 Mile, Cascade Crest 100 Mile, Wasatch Front 100 Mile, San Juan Solstice 50 Mile e High Lonesome 100 Mile, resultados que o colocam como um sério candidato ao pódio.
Também merecem atenção David Ayala, que impressionou em sua estreia na Hardrock em 2025; Jason Schlarb, vencedor da prova ao lado de Kilian Jornet em 2016; e Ryan Smith, terceiro colocado em 2021 e outro atleta com vasta experiência no percurso.
Mais do que uma corrida, a Hardrock 100 representa um dos maiores testes de resistência física e mental do ultratrail mundial. Entre altitudes extremas, subidas intermináveis e terrenos selvagens, a edição de 2026 promete mais um capítulo memorável na história de uma prova que transcende o esporte e se tornou um verdadeiro símbolo da corrida em montanha.
