Skyrunning
Brasil ganha destaque no Mundial de Skyrunning em La Gomera, com fortes desempenhos no VERTICAL e SKY
João Luiz da Silva termina o VERTICAL em 43º, com a menor diferença de um brasileiro para o campeão na história da elite, enquanto Ewelin Mello fecha o VERTICAL em 27º entre as mulheres; Itália, Espanha e Polônia conquistam os principais títulos em três dias de competição nas Ilhas Canárias

A ilha de La Gomera, nas Ilhas Canárias, foi palco de três dias de disputas entre alguns dos principais nomes do skyrunning mundial. Entre 18 e 20 de setembro, o Campeonato Mundial de Skyrunning 2026 reuniu atletas de dezenas de países para as provas VERTICAL, SKYULTRA e SKY, em percursos marcados por forte desnível, terrenos técnicos e diferentes características de montanha.

Organizado pela International Skyrunning Federation (ISF), o Mundial colocou em disputa 27 medalhas, além dos títulos individuais, por equipes e do campeonato combinado, calculado a partir dos resultados dos atletas nas provas VERTICAL e SKY.
O Brasil esteve representado nas três disciplinas e conseguiu resultados expressivos, especialmente no VERTICAL, prova que abriu a programação. João Luiz da Silva terminou na 43ª colocação masculina, com 45min00s, enquanto André Siegle foi 51º, em 47min14s, e Alan David Lima fechou em 57º, com 51min50s. Entre as mulheres, Ewelin Cristina Ribeiro de Mello terminou em 27º, com 54min18s.
Brasil se aproxima das primeiras posições no VERTICAL

A abertura do Mundial aconteceu com uma das provas mais características do skyrunning: apenas 4,9 quilômetros, mas com 950 metros de ganho vertical. O percurso partiu a aproximadamente 300 metros acima do nível do mar e levou os atletas até os 1.279 metros de altitude, em uma subida que combinou trechos entre palmeiras, terreno inclinado e uma chegada marcada por vento e garoa.
No masculino, o título ficou com o espanhol Lluis Puigvert, que completou a subida em 36min36s75. José Antonio Bellido garantiu a prata, apenas 13 segundos atrás, enquanto o italiano Luca Del Pero ficou com o bronze.
A vitória teve um significado especial para Puigvert. Aos 21 anos, o espanhol chegou ao Mundial adulto depois de uma trajetória de destaque nas categorias de base, na qual acumulou 12 medalhas de ouro e quatro de prata em quatro campeonatos mundiais juvenis.
Entre os brasileiros, João Luiz da Silva foi o melhor colocado. Com 45min00s, terminou na 43ª posição e ficou 8min24s atrás do campeão. André Siegle veio logo depois, em 51º, com 47min13s82, enquanto Alan David Lima foi 57º, com 51min49s97. Os tempos oficiais colocaram os três brasileiros entre os principais atletas da competição.
No feminino, Ewelin Cristina Ribeiro de Mello alcançou a 27ª colocação, com 54min18s38. A brasileira ficou a 9min45s da campeã e foi uma das representantes do país entre as atletas de elite.
A medalha de ouro ficou com a suíça Paola Stampanoni, que completou o percurso em 44min33s62. Everarda Van Dongen, da Holanda, foi prata, enquanto a italiana Benedetta Broggi conquistou o bronze.
Minoggio confirma tradição e vence a SKYULTRA
No segundo dia, o Mundial mudou completamente de característica. A SKYULTRA levou os atletas para um percurso de aproximadamente 63 quilômetros, com mais de 4.000 metros de desnível acumulado, atravessando diferentes ambientes de La Gomera.
A disputa masculina colocou frente a frente atletas experientes e nomes que vinham ganhando espaço no cenário internacional. Cristian Minoggio, da Itália, confirmou sua tradição na distância e conquistou o terceiro título mundial de SKYULTRA da carreira, depois das vitórias em 2022 e 2024.
Minoggio cruzou a chegada em 6h12min12s, depois de uma prova controlada e decidida principalmente na segunda metade. O espanhol Julen Calvo terminou com a prata, em 6h19min02s, enquanto o representante de Andorra Samuel Ponce ficou com o bronze, em 6h21min40s.
A prova também exigiu bastante dos atletas pela variedade do terreno. Longos trechos corríveis se alternaram com setores técnicos e terreno instável, aumentando a necessidade de adaptação ao longo dos 60 quilômetros.
Na disputa feminina, a norueguesa Shangave Balendran foi a grande vencedora. Depois de conquistar o título europeu da distância em 2025, ela repetiu o desempenho em La Gomera e venceu o Mundial com 7h27min16s, sendo a única mulher a completar a prova abaixo das oito horas.
A espanhola Mireia Pons ficou com a prata, em 8h02min51s, enquanto a norte-americana Careth Arnold conquistou o bronze, em sua primeira participação em um Campeonato Mundial.
O Brasil foi representado na SKYULTRA por Leonardo Nascimento de Jesus, que completou a prova e terminou na 48ª colocação geral. O resultado marcou mais uma presença brasileira em uma das disciplinas mais longas e exigentes do campeonato.
Luca Del Pero decide a SKY no trecho final

O Mundial chegou ao último dia com a prova SKY, de 29 quilômetros e 1.900 metros de ganho vertical. O percurso começou em Hermigua, no nordeste de La Gomera, e terminou em San Sebastián de La Gomera, passando por quatro grandes ascensões e descidas e alternando setores técnicos com trechos de maior velocidade.
A disputa masculina foi novamente marcada pela presença de Luca Del Pero. Depois de conquistar o bronze no VERTICAL, o italiano voltou a subir ao pódio e desta vez ficou com o ouro.
Del Pero completou a prova em 2h43min27s, superando o espanhol Dimas Pereira, que terminou apenas 43 segundos depois, em 2h44min10s. O polonês Dominik Tabor completou o pódio, com 2h46min52s.
A vitória também garantiu a Del Pero o título combinado masculino, somando os pontos obtidos no VERTICAL e na SKY. Dominik Tabor terminou em segundo, enquanto o holandês Pablo Van Hoorn ficou com o terceiro lugar.
Entre as mulheres, a polonesa Patrycja Stanek confirmou uma trajetória de ascensão no skyrunning e conquistou seu primeiro título mundial adulto. Ela liderou a prova desde os primeiros quilômetros e terminou em 3h20min29s, apenas 36 segundos à frente da norueguesa Eva Simonsen.
A italiana Cecilia Basso conquistou o bronze, depois de uma recuperação durante a prova. A britânica Carys Mai Hughes foi quarta e a espanhola Ana Granda terminou em quinto.
Simonsen ainda levou o título combinado feminino, à frente da italiana Corinna Ghirardi e da belga Joke Descheemaeker.
Brasil fecha o Mundial com quatro atletas na SKY
Na SKY, o Brasil voltou a colocar atletas entre os competidores de elite. Ewelin Cristina Ribeiro de Mello terminou na 39ª posição feminina, enquanto André Siegle foi 28º entre os homens. Maicon Denis Teixeira terminou em 30º e Alan David Lima completou a participação brasileira em 57º.
Os resultados deram continuidade ao desempenho brasileiro apresentado desde a abertura do campeonato. No VERTICAL, o país teve três homens entre os 57 primeiros e Ewelin entre as 30 melhores. Na SKY, novamente quatro atletas conseguiram concluir a disputa dentro do grupo de elite.
Para o Brasil, a participação em La Gomera também representa uma aproximação maior com o cenário internacional da modalidade. João Luiz da Silva, André Siegle, Alan David Lima e Ewelin Mello conseguiram resultados competitivos diante de atletas de países com longa tradição no skyrunning, enquanto Leonardo Nascimento encarou a prova mais longa do campeonato.
Espanha confirma força em casa
Além dos títulos individuais, a disputa entre países foi um dos principais componentes do Mundial. A Espanha terminou na liderança do ranking por equipes, com 918 pontos, seguida pela Itália, com 896, e pelo Japão, com 594.
O resultado confirmou a força espanhola em casa. A equipe anfitriã contou com atletas entre os primeiros colocados nas três disciplinas e terminou o campeonato à frente de duas das maiores potências históricas do skyrunning. Ao todo, 36 países pontuaram e dez nações conquistaram medalhas.
A edição de 2026 também reforçou a presença de uma nova geração no cenário internacional. O campeão do VERTICAL, Lluis Puigvert, é um exemplo claro dessa transição: depois de dominar as categorias juvenis, o espanhol conquistou seu primeiro título mundial entre os adultos.
O Mundial de La Gomera terminou, assim, com três campeões masculinos de três países diferentes — Espanha no VERTICAL, Itália na SKYULTRA e SKY — e três campeãs de Suíça, Noruega e Polônia nas respectivas disciplinas. No combinado, Itália e Noruega ficaram com os títulos individuais.
Mais do que uma sequência de provas, o campeonato mostrou a amplitude do skyrunning moderno. Da explosão de menos de 40 minutos no VERTICAL às mais de sete horas da SKYULTRA, La Gomera reuniu diferentes formas de correr em montanha e colocou frente a frente atletas experientes, campeões consolidados e novos nomes que começam a ganhar espaço no cenário mundial.
Para o Brasil, a competição terminou com uma participação consistente nas três disciplinas e resultados que aproximam os atletas nacionais do grupo internacional de elite, especialmente no VERTICAL e na SKY.
Resultados
VERTICAL – 4,9 km | 950 m+
Masculino
Lluis Puigvert (ESP) – 36min36s
José Antonio Bellido (ESP) – 36min49s
Luca Del Pero (ITA) – 37min07s
Brasileiros
43. João Luiz da Silva – 45min00s
51. André Siegle – 47min13s
57. Alan David Lima – 51min49s
Feminino
Paola Stampanoni (SUI) – 44min33s
Everarda Van Dongen (NED) – 44min42s
Benedetta Broggi (ITA) – 45min20s
Brasileira
27. Ewelin Cristina Ribeiro de Mello – 54min18s
SKYULTRA – aproximadamente 63 km | mais de 4.000 m+
Masculino
Cristian Minoggio (ITA) – 6h12min12s
Julen Calvo (ESP) – 6h19min02s
Samuel Ponce (AND) – 6h21min40s
Brasileiro
48. Leonardo Nascimento de Jesus
Feminino
Shangave Balendran (NOR) – 7h27min16s
Mireia Pons (ESP) – 8h02min51s
Careth Arnold (USA) – 8h03min00s
SKY – 29 km | 1.900 m+
Masculino
Luca Del Pero (ITA) – 2h43min27s
Dimas Pereira (ESP) – 2h44min10s
Dominik Tabor (POL) – 2h46min52s
Brasileiros
28. André Siegle
30. Maicon Denis Teixeira
57. Alan David Lima
Feminino
Patrycja Stanek (POL) – 3h20min29s
Eva Simonsen (NOR) – 3h21min05s
Cecilia Basso (ITA) – 3h25min09s
Brasileira
39. Ewelin Cristina Ribeiro de Mello
COMBINADO
Masculino
Luca Del Pero (ITA)
Dominik Tabor (POL)
Pablo Van Hoorn (NED)
Feminino
Eva Simonsen (NOR)
Corinna Ghirardi (ITA)
Joke Descheemaeker (BEL)
RANKING POR EQUIPES
Espanha – 918 pontos
Itália – 896 pontos
Japão – 594 pontos



