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Kilian Jornet finaliza seu projeto “States of Elevation” – e os números impressionam
A lenda do trail running, Kilian Jornet, concluiu a etapa do Colorado em seu ousado projeto “States of Elevation”, e os dados revelam o impacto gigantesco que esse desafio já está tendo em seu corpo. Dispensando apresentações, Jornet sempre foi sinônimo de feitos que parecem ultrapassar os limites do possível. Agora, ele se propôs a…

A lenda do trail running, Kilian Jornet, concluiu a etapa do Colorado em seu ousado projeto “States of Elevation”, e os dados revelam o impacto gigantesco que esse desafio já está tendo em seu corpo.
Dispensando apresentações, Jornet sempre foi sinônimo de feitos que parecem ultrapassar os limites do possível. Agora, ele se propôs a ligar todas as montanhas acima de 14 mil pés (os famosos 14ers) em três estados norte-americanos – Colorado, Califórnia e Washington –, uma rota mítica de alta montanha que ele batizou de Estados de Elevação.
Nove Everests acumulados
Só no Colorado, são 56 montanhas acima de 4.200 metros, que renderam a Jornet um desnível positivo total de 77.984 metros – quase o equivalente a escalar o Everest nove vezes.
Assim como fez no projeto Alpine Connections em 2023, quando escalou os 82 picos acima de 4.000 m nos Alpes em apenas 19 dias, Jornet segue a filosofia de depender apenas de meios próprios: pedala entre as regiões e sobe cada montanha a pé, conectando-as de forma contínua.
O corpo sente
Atleta da COROS, Jornet compartilhou dados de seu relógio, ciclocomputador e cinta cardíaca, que ajudam a entender a dimensão do esforço:
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Sono: média inferior a 5 horas por dia, com jornadas em que simplesmente não dormiu.
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HRV (Variabilidade da Frequência Cardíaca): caiu de 50 ms (antes do projeto) para 31 ms, sinal de fadiga acumulada.
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Frequência Cardíaca de Repouso: subiu de 43 bpm para 52 bpm, reflexo direto da carga extrema.
Estratégia acima de tudo
Para Jornet, acompanhar esses dados é fundamental para ajustar ritmo e recuperação:
“O Colorado me ensinou a ouvir meu corpo, respeitar o terreno e entender que ritmo é tudo. Se você força demais no começo, não vai durar. Precisei aprender a controlar o esforço, respeitar pausas de recuperação e administrar energia para seguir por muitos dias seguidos.”
Ele também contou que enfrentou um momento difícil logo nas primeiras etapas, quando o corpo ainda sofria com jet lag, desidratação e a dureza das longas jornadas:
“Foi como estar com a bateria no vermelho. Mas acompanhar os sinais do meu corpo e olhar os dados me lembrou que precisava cuidar mais de mim. Aos poucos fui melhorando e agora me sinto muito bem.”
Mais que competição
Jornet ressaltou que o projeto também é uma forma de se conectar com a cultura de montanha da América do Norte e de levantar discussões ambientais:
“Sempre me inspirei nas paisagens e no espírito de montanha daqui. Queria explorar isso de forma mais profunda, não só competindo, mas numa jornada mais lenta e imersiva.”
E deixa uma mensagem para quem acompanha sua travessia:
“Acho que a lição é simplesmente sair e tentar. Começar algo, mesmo que o resultado seja incerto. Não sei até onde vou chegar, mas o que importa é a experiência, a jornada.”
Claro que nem tudo é prazer: ele admite que já prevê trechos bem duros pela frente, como pedalar milhas e milhas em linha reta pelo deserto, mas encara até isso como parte da aventura.



