Ranking Brasileiro
ara Francisco Ottoni era preciso ter DE TRAIL RUNNING. uma visão mais clara para saber quais atletas estão em melhor fase nas diferentes distâncias do trail running. “Percebemos que não havia um ranking atletas correm muito, mas em diferentes brasileiro nos moldes do criado pelo distâncias. Isso acaba resultando em muitos I-TRA. Pensamos em fazer um ranking bons atletas com a mesma – e baixa – utilizando as principais provas do pontuação”, explica Ottoni, lembrando calendário nacional, inclusive as que que a partir do ranking os organizadores não eram reconhecidas pelo I-TRA. podem estimular a presença de atletas bem Um ranking dividido em diferentes ranqueados em suas provas, elevando o distâncias nos daria uma visão mais clara nível de competitividade e a visibilidade do de quais atletas estariam em melhor evento. Já os atletas, seriam posicionados fase em provas curtas, médias, longas num ranking baseado em critérios objetivos e ultralongas. Espero que a partir dele, e claros. "Também espero que no futuro os os atletas com bons resultados sejam atletas foquem em determinada categoria reconhecidos a partir do que fazem nas e façam mais provas naquela distância. Isso trilhas e não exclusivamente pelo que daria uma fotografia mais real de quem é postam em redes sociais”, diz Ottoni. quem no trail brasileiro".
Na elaboração do ranking, Ottoni e Valmir Uma das figuras mais importantes do trail encontraram algumas dificuldades, que nacional, José Virgínio de Morais acredita refletem o cenário nacional da modalidade. que o ranking pode ajudar a atrair um novo público para o trail running, mas tem “Foram muitas dificuldades. Mas a principal algumas ressalvas.
é o fato de haver pouquíssimos atletas correndo provas longas e ultralongas. “O ranking pode ser bem positivo para Também as provas não têm um número atrair um novo público, que sempre se grande de concluintes. O número de motiva com números e méritos. Para os mulheres ultramaratonistas chega a corredores que já estão na ativa, será ser ridículo. Outro problema é que os muito bom no conceito, e até mesmo Divulgação “O ranking pode ser bem positivo para atrair um novo público, que sempre se motiva com números e méritos. Para os corredores que já estão na ativa, será muito bom no conceito, e até mesmo para que se possa medir até onde nossa bandeira de trail run pode chegar.
José Virgínio de Morais Mas os atletas só serão beneficiados se a entidade que organiza o ranking tiver total credibilidade e estiver em total sintonia com os corredores”. para que se possa medir até onde nossa O empresário acredita que a criação de bandeira de trail run pode chegar. Mas um ranking pode ajudar a profissionalizar os atletas só serão beneficiados se a a modalidade, ainda amadora, sob o seu entidade que organiza o ranking tiver ponto de vista. Gustavo considera grande total credibilidade e estiver em total a oferta de provas no Brasil, fazendo com sintonia com os corredores”, diz Virgínio. que o atleta não se especialize em uma Ele vê o trail nacional em evolução, mas distância.
ainda sente falta de um campeonato nacional, de campeonatos regionais e de “Com um ranking bem estruturado, uma grande prova, capaz de atrair atletas de com distâncias específicas, creio que fora. “Precisamos crescer nestes pontos. os atletas focariam mais em suas Partindo disso, creio que as empresas especialidades, o que traria aumento e marcas esportivas também andarão de performance e crescimento do nível na mesma trilha. Mas precisamos de um do trail running nacional. Além disso, começo”, completa. com mais visibilidade, aumentam as chances de se conseguir patrocinadores Gustavo Nogueira, co-organizador de provas e parceiros, tornando a modalidade, de como Indomit Pedra do Baú, KTR Series e fato, profissional. Temos muito a aprender O Rei da Montanha, também vê com bons e a crescer, mas creio que estamos num olhos a criação do ranking. Ele acredita que bom caminho para o desenvolvimento do o ranking pode contribuir com o crescimento esporte no Brasil”.
da modalidade ao estabelecer uma forma de se eleger um campeão brasileiro; ao Sidney Togumi, consultor da CBAt para melhorar o nível dos organizadores e, corridas de montanha e trilha, reconhece que eventualmente, definir nossos representantes o trail nacional precisa de um ranking. Mas em campeonatos mundiais. preocupa-se com a divisão da modalidade, que pode levar os melhores atletas a não se “Nenhum esporte vive sem atletas enfrentarem ao longo do ano.
de referência. Um ranking ajudaria na descoberta de novos talentos. Também no “O problema é ter vários rankings. incentivo e fomento de novas gerações da Hoje temos algumas entidades que modalidade, o que vai garantir o futuro num futuro próximo deverão ter seus do trail”, diz Gustavo. próprios rankings. Imagino que isso, num primeiro momento pode fatiar o público e no fim não termos os melhores se enfrentando nos eventos de trail. Através “Acho que os organizadores terão em de um ranking, os atletas saberão em suas provas um número maior de atletas que nível se encontram e dessa forma competindo em alto nível. Enfrentando traçar estratégias tanto de treinamento uns aos outros podemos medir melhor como de escolha de provas para que o nosso nível de performance. Isso sem possam alcançar melhores posições. Mas precisar sair muito do país. Valorizamos nada irá satisfazer 100% das pessoas, o mercado nacional e somos mais independente da maturidade delas. valorizados por aqui. Mas entendo Muitas saberão se posicionar e até que para provas acima de 160K não colaborar no futuro, uma vez que os precisamos de um ranking. Seria bom critérios adotados já estarão em prática. também pensarmos numa premiação para Outras nem tanto”, afirma Togumi, os melhores", diz Chico.
José Mirailton, também da seleção Atleta da seleção brasileira que vai ao brasileira, faz coro com o colega de equipe. campeonato mundial, Chico Santos é um dos De forma bem objetiva, o corredor fala em melhores corredores brasileiros de trail da legitimidade e competitividade.
atualidade. Para ele, o ranking de uma revista especializada poderá a ajudar a organizar o “Um ranking com um critério justo dá mais calendário de competições fazendo com que legitimidade ao avaliarem os atletas e os melhores atletas se enfrentem com maior também cria uma boa disputa entre eles.
frequência e saiam menos do país em busca Números não deixam dúvidas. Não dão de provas competitivas. margem à desconfiança”.
