Revista Trail Running
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Quatro relógios, quatro filosofias

Garmin Fēnix 8, Suunto Vertical 2, COROS Vertix 2S e Amazfit T-Rex 3 Pro mostram que nunca tivemos tanta tecnologia no pulso — mas também nunca foi tão difícil escolher

Valmir Lana · 11 min de leitura · Trecho

Durante muitos anos, quando alguém me perguntava qual relógio comprar para trail running, a resposta quase sempre caminhava naturalmente para Garmin.

Não necessariamente porque a Garmin fosse absolutamente superior em todos os aspectos, mas porque entregava o pacote mais completo: GPS confiável, mapas, métricas de treinamento, boa autonomia, navegação, integração com sensores e um ecossistema já consolidado.

Só que o mercado mudou.

E mudou bastante.

Suunto voltou a incomodar seriamente. COROS conquistou espaço entre atletas de endurance com uma proposta extremamente objetiva. E a Amazfit começou a colocar no mercado relógios com uma ficha técnica que nos obriga a fazer uma pergunta desconfortável:

quanto do preço de um Garmin está realmente no relógio e quanto está no ecossistema que existe ao redor dele?

Resolvi colocar lado a lado quatro equipamentos que representam muito bem esse novo momento:

Garmin Fēnix 8 AMOLED 51 mm, Suunto Vertical 2, COROS Vertix 2S e Amazfit T-Rex 3 Pro.

Não estou procurando simplesmente descobrir qual tem mais bateria ou qual possui a tela mais bonita.

A pergunta é outra:

qual deles faz mais sentido no pulso de quem realmente corre na montanha?

GARMIN FĒNIX 8: O RELÓGIO QUE TENTA FAZER TUDO

Começo pelo Garmin porque ele continua sendo a referência mais óbvia dessa categoria.

O Fēnix 8 AMOLED de 51 mm reúne praticamente tudo o que a Garmin desenvolveu ao longo dos últimos anos em um único equipamento.

Tela AMOLED, mapas integrados, GPS multibanda, lanterna, armazenamento de músicas, Garmin Pay, métricas avançadas de treinamento, Training Readiness, Training Status, ECG em mercados compatíveis, chamadas por voz quando conectado ao telefone e resistência à água de 10 ATM.

Na versão Sapphire Titanium, entram ainda vidro de safira e bezel de titânio.

É difícil olhar para a ficha técnica e encontrar uma ausência importante.

E essa é justamente a maior força do Fēnix.

Ele não precisa ser o melhor relógio do mundo em cada item individualmente.

Precisa estar entre os melhores em praticamente todos.

No modelo AMOLED de 51 mm, a Garmin declara até 29 dias em modo smartwatch, 84 horas somente com GPS, 68 horas com todos os sistemas de satélite e até 62 horas com todos os sistemas mais multibanda.

Para quem corre trail, essa última informação é especialmente importante.

Em ambiente aberto, praticamente qualquer relógio atual de alto nível consegue produzir bons tracks. O desafio aparece quando entramos em mata fechada, cânions, regiões de paredões, vales ou terrenos onde a recepção de satélite fica mais difícil.

É nesses lugares que GNSS multibanda deixa de ser argumento de marketing e passa a ter utilidade real.

Só que existe outro motivo pelo qual continuo considerando o Fēnix tão forte.

O ecossistema.

Garmin Connect, mapas, sensores externos, cintas cardíacas, ciclismo, potência, música, pagamentos, Connect IQ, histórico de treinamento, recuperação, sono e dezenas de métricas acabam transformando o relógio em uma central esportiva.

O problema é que tudo isso custa caro.

Muito caro.

E os concorrentes perceberam que existe espaço exatamente aí.

SUUNTO VERTICAL 2: O RIVAL OUTDOOR MAIS PERIGOSO

Se existe um relógio dessa lista que eu colocaria frente a frente com o Garmin para uma grande aventura em montanha,

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