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Tudo em aberto na Grande Muralha: Golden Trail World Series faz a última etapa antes da Grande Final

Kiriago defende a liderança diante de Kipngeno, invicto na Ásia. No feminino, a ausência da líder Madalina Florea abre caminho para Gitonga, Bukovjan, Nivet e Kimutai, vencedora em 2025.

Valmir Lana · 24 de setembro de 2026 · 6 min de leitura
GTWS

Depois de sete meses, quatro continentes e seis etapas, o Golden Trail World Series (GTWS) chega ao seu último teste antes da decisão. Neste domingo (27), a Jinshanling Great Wall Trail Race leva a elite mundial das corridas de montanha de curta distância para a Grande Muralha da China, na sétima e última etapa da temporada regular. A Grande Final será no Muju Trail, na Coreia do Sul, nos dias 24 e 25 de outubro.

O cenário é único no calendário: é a única prova do circuito disputada sobre uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. E o momento também. No masculino, a liderança acabou de trocar de mãos. No feminino, a líder está fora por doença, e quatro atletas chegam à China com chance real de encostar nela.

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Escadas milenares e desgaste do começo ao fim

São 24 km com 1.889 m de desnível positivo em Jinshanling, nas Montanhas Yan, a pouco mais de duas horas de Pequim, um dos trechos mais bem preservados da Muralha. O percurso é um circuito em sentido horário: a primeira metade passa pelas escadarias históricas do monumento, com degraus altos e irregulares; a segunda é uma sequência de subidas e descidas íngremes em terreno seco, arenoso e técnico.

Não há uma única subida decisiva. A prova vence pelo acúmulo, sem trechos de respiro, e obriga o atleta a dosar o esforço do início ao fim.

Os três segmentos cronometrados, que valem pontos extras na classificação geral, estão espalhados pelo traçado:

  • Subida (km 5): 1 km com inclinação média de 16,6%, sobre os degraus da própria Muralha.
  • Velocidade (km 8): 1,6 km com 56 m de subida e 53 m de descida, em constante troca de inclinação.
  • Descida (km 14,6): 1,3 km a -17,9% de média, uma das descidas mais longas e rápidas do circuito, que fica escorregadia com o terreno seco.

Até o logotipo da prova conversa com o lugar: ele foi inspirado no único mural de Qilin preservado nesse trecho da Muralha. Na tradição chinesa, o Qilin é uma criatura associada à sorte, à coragem e à proteção.

Masculino: Kiriago na frente, Kipngeno em casa

O Myoko Trail, no Japão, redesenhou a classificação. Segundo colocado na prova, Philemon Kiriago (Run2Gether On Trail) completou sua quarta etapa pontuável e assumiu a liderança com 860 pontos, à frente de Elhousine Elazzaoui (NNormal), com 824. Como só os quatro melhores resultados contam antes da Grande Final, o queniano só amplia a vantagem se superar um desses resultados ou se somar pontos nos segmentos cronometrados.

O maior obstáculo dele pode ser um companheiro de equipe. Patrick Kipngeno, terceiro na geral com 772 pontos, nunca perdeu uma prova do GTWS na Ásia: são cinco vitórias em cinco participações, duas no Kobe Trail (2024 e 2025), uma no Myoko Trail (2026), uma no Four Sisters Mountain Trail (2024) e uma justamente na Grande Muralha, em 2025. Chega de novo como favorito.

E se a vitória não ficar com nenhum dos dois, pode continuar na mesma casa. Michael Selelo, quarto na geral com 754 pontos, subiu ao pódio nas quatro etapas que disputou na temporada. Em Sierre-Zinal e no Japão, o pódio masculino foi inteiro da Run2Gether On Trail.

O mexicano Brayan Rodríguez é o nome fora do roteiro. Uma das revelações do ano, ele foi top 10 no Québec Mega Trail e em Sierre-Zinal, e corria com o grupo da frente no Myoko até sofrer uma queda. Joey Hadorn, Ryunosuke Omi e o chinês Zhu Yutao completam a lista de candidatos.

Mais atrás, a briga é pelo top 10 da geral: Bogdan Damian (Kailas Fuga) é o sexto, com 556 pontos; Nashon Kiplimo (Salomon) e Isacco Costa (La Sportiva) ocupam o nono e o décimo lugar, com 481 e 470.

Feminino: sem a líder, a porta se abre

A romena Madalina Florea (Scott) lidera com 872 pontos, mas não vai correr na China por doença. É a janela que as perseguidoras esperavam.

A mais bem posicionada é a queniana Ruth Gitonga (Run2Gether On Trail), segunda com 698 pontos. No Japão, ela brigou pela vitória até perder o pódio na última subida. Logo atrás estão Barbora Bukovjan (Salomon), com 696, e Marie Nivet (Nike ACG), com 663. No Myoko, a francesa superou a tcheca por apenas 45 segundos na briga pelo segundo lugar. Com margens tão pequenas, o pódio provisório da geral está em jogo a cada quilômetro.

Quem conhece o caminho é Caroline Kimutai (Salomon). A queniana se apresentou ao circuito justamente com a vitória em Jinshanling, em 2025. Quinta na geral com 614 pontos, ela não correu no Japão e volta com a chance de encurtar a distância para o topo.

A alemã Hanna Groeber (IRCZRH) chega embalada. Atual campeã europeia de subida e descida, ela liderou o Myoko de ponta a ponta e conquistou a primeira vitória da carreira no GTWS, o que a levou ao sétimo lugar da geral, com 502 pontos.

Na briga pelo top 10, Renee Cardinaals (All4running / Esprit Montagne), oitava com 478, e María Fuentes (Kailas Fuga), décima com 454, tentam segurar a posição. A espanhola Estel Roig (Scott), 13ª com 393, vem se aproximando. A esperança da casa é Chi Lingjie (Salomon).

Muito além do pódio

A etapa chinesa também define quem termina a temporada entre os 20 primeiros da geral, faixa que dá direito a premiação em dinheiro, e entre os 30 primeiros, que garantem apoio financeiro e logístico do GTWS para 2027. Para muitos atletas, é isso que está em jogo no domingo.

O prêmio da prova também cresceu. Depois do aumento de 50% na premiação anunciado para 2026, o circuito dobrou o valor das duas etapas asiáticas que antecedem a Grande Final: são € 40.800 para os dez primeiros no masculino e no feminino, com € 6.000 para cada vencedor.

O investimento acompanha o crescimento do trail running na China. Em 2026, o país recebeu um Campeonato Nacional Golden Trail e a Golden Trail National Series China, circuito de quatro provas mais uma final. Os dois primeiros da geral masculina e feminina e os melhores sub-23 de cada gênero ganham vaga direta para a Grande Final na Coreia do Sul.

Como acompanhar

A largada feminina está marcada para domingo (27), às 14h no horário local, 3h da madrugada em Brasília. A masculina sai 20 minutos depois, às 3h20 (horário de Brasília).

A transmissão ao vivo é feita pelas plataformas da Warner Bros. Discovery (HBO Max, Eurosport e TNT Sports) e por emissoras parceiras em outros países. A lista completa está no site oficial da série, que também oferece cronometragem ao vivo; as redes sociais do GTWS acompanham a prova minuto a minuto.

O programa de melhores momentos vai ao ar na quarta-feira (30), às 17h de Brasília, no Eurosport e no HBO Max, e fica disponível no canal oficial do Golden Trail World Series no YouTube 24 horas depois.

Depois da prova, o percurso completo da Grande Muralha também estará disponível no Kinomap, parceiro do circuito, em vídeo georreferenciado para treino virtual.

Com informações da assessoria do Golden Trail World Series.

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